CONTINUAREI A PESAR O VOSSO COMPORTAMENTO PARA AVALIAR SE MERECEIS SER TRANSPORTADOS NA MINHA BARCA

sábado, 30 de outubro de 2010

-" Imaginem "

Por Mário Crespo

Imaginem que todos os gestores públicos das 77 empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados. Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.
Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas.

Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público.

Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.

Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês. Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência.

Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas.

Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.

Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares.

Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
maginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde.

Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros.

Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada.

Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido.

Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo.
Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos.
Imaginem que país seremos se não o fizermos."


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

-" São todos iguais "

Marques MendesNovo Pensionista Prematuro!

"Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como Deputado, Marques Mendes acaba de requerer a Pensão a que tem direito, no valor mensal vitalício de 2.905 euros mensais. Contudo, um trabalhador normal tem de trabalhar até aos 65 anos e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma de 80% da remuneração média da sua carreira contributiva.

Um povo resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."

E porquê ? ! ... Porque desconhece aquilo de que os portugueses sempre foram capazes e se resignam a serem manipulados por um bando de incapazes sem escrupulos. Isto é o que acontece quando um povo desconhece a sua própria história!
Não é por acaso que as "forças progressistas e democráticas" do 25 de Abril tentaram apagar ou deturpar a história. Um povo conhecedor e orgulhoso da sua história não se deixa dominar por um bando de ignorantes oportunistas.

Sigam o exemplo dos valentes do 1º de Dezembro e defenestrem todos os parasitas! ...


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

-" Diamantes e Robalos "

Momentos de glória da política portuguesa !




João Soares, Teresa Ricoh, Jonas Savimbi, António Maria Pereira e Armando Vara, durante o VII Congresso da UNITA, na Jamba, Angola, em 1991.

Deixem-me fazer um exercício de raciocínio :

- Em 1991, a UNITA dominava a zona da Lunda e as jazidas de diamantes.
- O congresso da UNITA realizou-se seis meses antes das eleições em Portugal.
- As campanhas eleitorais ficam muito caras.
- Qual é o negócio mais rentável na África do Sul ?
- Por falar em África do Sul, recordo-me que João Soares teve um acidente num avião ligeiro quando ia de Angola para a África do Sul.
- Que raio iria ele fazer à África do Sul ?...
- Será que ia passar férias ?...
- Teve muita sorte em não ter morrido ! ... Se morresse seria mais um herói do PS.
- Será que isto tem alguma coisa a ver com os robalos ?...


Não ! ... Tudo isto só pode ter sido coincidência.


sábado, 2 de outubro de 2010

-" Porque não conquistamos Luanda ! "

Estamos em Agosto de 1975. Um pequeno grupo de portugueses desembarca em Angola para ajudar a impedir a sua entrega ao colonialismo soviético.

Eram poucos. Iriam porém, mostrar em valentia sem par e altruísmo sem preço, a vontade de todo o povo real que, perplexo e traumatizado, estava incapaz de reagir à mais aviltante farsa de toda a sua História. Em nome de um povo imaginário e de liberdades paranóicas — aliás tolhidas a cada passo em pesados preços de sangue e de fome — todos assistimos à maior mentira do século: a "independência" de Angola.

Qual Angola?

A que víramos próspera, virada ao futuro, na preocupação do bem-estar das suas gentes, na riqueza da sua história, no valor da sua cultura, na grandeza e na dimensão do seu viver? Ou a que encontramos destruída, com os povos famintos a fugir de um lado a outro, para morrerem mais tarde? A que encontrámos em gritos de dor e pedindo a nossa ajuda, uma palavra de esperança, uma afirmação de que tudo era pesadelo e de que voltariam à tranquilidade do seu viver?

Qual independência?

A que trouxe a Angola a ocupação colonial por um exército estrangeiro, em flagrante conquista militar, sem quaisquer laços que liguem o povo aos ocupantes, para além da anuência de uma minoria dirigente e totalitária e porque um governo, em Lisboa — provisório mas definitivamente irresponsável — o consentiu também? O que pensa realmente deste facto trágico o povo português e desgraçadamente o que pensará o povo de Angola?

Foi um grupo pequeno que se bateu contra isto tudo. Merecem por isso o respeito e a consideração de todos os portugueses. Por se terem batido e porque se bateram bem.

Alguns pagaram cara a sua dádiva. E quando no pequeno cemitério do Ambriz desceram à terra, com toda a população a assistir em religioso silêncio, com as honras devidas e cobertos com a Bandeira Portuguesa, repetia-se apenas o que ao longo dos séculos acontecera. Mais uma vez aquela terra acolhia generoso sangue português. Ali estivemos também, meditando e sentindo mais vontade para continuar.

A história deste livro, na simplicidade do relato de uma boa parte dos combates que tiveram de travar-se, dá bem conta do que foi essa luta. Não podemos, porém, deixar de recordar também com sentido respeito os que pelo sul de Angola e em combates de gigantes, libertaram sucessivamente Pereira de Eça, Sá da Bandeira, Moçâmedes e Lobito. Ali tombaram outros tantos, que recordamos com saudade e a maior veneração.

O relatar de uma guerra, na verdade dos factos e com humildade, é privilégio dos que sabem bater-se. É este o caso, na óptica de quem o soube fazer e fazer bem. A outra história, a dos bastidores da intriga política, ficará para ser contada oportunamente. Ela terá de ser contada um dia e sê-lo-á...

Fomos derrotados naquela batalha, mas vencidos ainda não.

*

Em Julho de 1975 os soldados cubanos começaram a desembarcar em Angola. Faltavam cinco meses para a independência estabelecida nos Acordos de Alvor, e o exército cubano, apoiado por material de guerra russo pesado e sofisticado (tanques e mísseis), começou a invadir Angola.

O povo português desconhecia em absoluto este facto, porque a Informação (imprensa, rádio e TV) "mais livre do mundo" simplesmente o ocultava. Aliás, em Julho de 75 tinha também começado no norte do país o célebre "Verão quente". O povo andava atarefado em travar a escalada comunista e tinha perfeita consciência de que se o conseguisse a tempo, Angola nunca cairia sob o domínio soviético. Mas o povo do norte foi traído pelas mesmas pessoas que traíram os angolanos. Não foi por acaso que o "25 de Novembro" só aconteceu depois de consumado o "11 de Novembro", data da entrega oficial de Angola à Rússia.

A primeira importância deste livro, escrito por três Comandos Especiais que tive o orgulho de comandar, é a de provar, com a simplicidade de uma prova visível e concreta, que o exército cu-bano invadiu Angola antes da independência. Eu próprio comandei os combates que os Comandos Especiais travaram contra os cubanos em

Angola, durante os meses de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro de 1975... Só na parte norte de Luanda, para "defender" a cidade, estacionavam seis batalhões cubanos completamente equipados, armados e municiados.

Feita a prova desta terrível verdade, surge a segunda importância deste livro: — Quem autorizou ou quem facilitou a entrada dos cubanos? Quem constituía, nessa época, o Poder em Portugal? Presidente da República, Governo e Conselho da Revolução. Muitos membros desses órgãos do Poder continuam hoje a ser governantes. Grande parte deles são os mesmos. Como é isto possível? Sobre os ombros desses homens pesa a responsabilidade da morte de milhares e milhares de homens, de mulheres e de crianças. Pesa ainda a gravíssima responsabilidade de terem impedido a libertação da nação angolana. Que povo pode ser livre, quando ocupado por um exército de 30 000 soldados estrangeiros?

Quem autorizou a entrada do exército cubano em Angola, quando o poder soberano ainda pertencia (e pertenceria durante vários meses) ao governo português?

Enquanto esta pergunta não for respondida, que importância podem ter os escândalos em que se envolvem altas figuras do regime e o que podem significar os delitos, os compromissos ou os compadrios que os levaram ao Poder? Mas enquanto houver portugueses da raça destes Comandos Especiais que foram lutar contra os cubanos, aquela pergunta há-de ter uma resposta. Não se saberá quando, mas terá de ser dada às centenas de milhar de mortos, aos que perderam a dimensão de viver e aos que vagueiam apátridas e atónitos...

*

Visto à luz da História, os Comandos Especiais eram em número ridiculamente pequeno. Apenas um punhado de homens: pouco mais de uma centena e meia.

Vieram de todos os cantos do mundo. Alguns tinham já sido Comandos, ao tempo da sua vida de militares em Angola ou em Moçambique.

Vieram espontaneamente. Nada lhes foi oferecido, e eles nenhumas condições impuseram. Claramente lhes foi dito que os Comandos Especiais iriam apenas ser a resposta altiva dum punhado de portugueses à cobardia e à traição dos que entregavam a Pátria às potências estrangeiras.

Vieram por sua própria e livre iniciativa, na louca esperança de ainda salvar o nosso povo duma desonra afrontosa e de uma perda irreparável.

Logo no primeiro recrutamento surgiram aqueles que iriam constituir a mais extraordinária, a mais inconcebível, a mais desesperada força militar que alguma vez se propôs fazer frente ao império comunista: 156 homens dispondo de reduzidíssimo armamento, dependendo quase que exclusivamente de si próprios, pois o apoio logís-tico era praticamente inexistente. Estavam dispostos a enfrentar o MPLA comunista, mas não sabiam ainda que uma das mais poderosas máquinas político-militares do mundo iria lançar abertamente todo o seu peso na luta a favor do MPLA. Igualmente ignoravam que as autoridades portuguesas iriam dar cobertura aos comunistas.

Mas mesmo que o soubessem, na altura em que se dispuseram a lutar para defender Angola da estratégia soviética, isso não os faria recuar.

Na realidade a acção desse punhado de homens começou no Verão de 75. O "Verão Quente" de Angola.

Quando se verificaram os primeiros incidentes graves, em Maio/Junho de 75, em Luanda e nas áreas que impropriamente designaram como "zonas de influência", esses incidentes deram-se apenas entre os "movimentos de libertação", MPLA incluído.

A cruzada parecia fácil. Se os Comandos Especiais tivessem de enfrentar apenas o MPLA, as coisas teriam seguido um outro rumo: nunca os comunistas teriam tido a possibilidade de tomar conta de Angola.

O Alto-Comissário que representava nessa altura o Governo Português em Angola teve uma acção claramente definida: de acordo com a letra e o espírito dos tratados, não concedeu nem concederia qualquer privilégio especial a nenhum dos três movimentos. Fixada a data da independência de Angola para 11 de Novembro, seriam até lá tratados em plena igualdade as três forças que entre si disputavam a supremacia em Angola. Mas essa correcta e imparcial acção contrariava os secretos desígnios dos chefes comunistas. O Alto-Comissário juntamente com o Comandante Militar, foram chamados de urgência a Lisboa. Em contra-partida, Rosa Coutinho foi para Luanda. Por curiosa coincidência, precisamente na altura em que eu próprio cheguei também a Angola. Estávamos em Agosto: exactamente no dia 5, desse ano de 1975.

A situação ali já não constituía segredo para ninguém: desde Junho que cubanos e russos mantinham, sem quaisquer preocupações de segredo, o seu Quartel-General em Luanda, na casa que fora do Administrador da Petrangol. Aí funcionava abertamente esse Quartel-General, com todas as secções e com todo o pessoal. Estávamos ainda en- 16 tão sob o controle do governo português, esse mesmo governo que num tratado de cariz internacional acordara não dar nem permitir que fosse dada qualquer espécie de tratamento preferencial a nenhum dos três movimentos competidores.

No entanto os soldados cubanos desembarcavam em vagas cada vez maiores em Luanda, nesse Verão de 75. Todo o material de guerra que consigo traziam, ali desembarcou à vista de toda a gente.

Quando os desembarques começaram a ser feitos em massa, em meados de Agosto, passaram a ter lugar em Novo Redondo. E era às claras que diariamente rolavam as colunas militares de soldados e material cubano e russo, rumo a Luanda. Quanto ao MPLA, o movimento que servia de cobertura a essa clara invasão comunista, estava completamente subordinado ao Quartel-General cubano de Angola.

Quem poderia ignorar estes factos? Na realidade, ninguém. Nem em Angola nem mesmo nos países vizinhos. E muito menos o governo português, ou pelo menos o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares.

Foi na própria Emissora oficial de Angola — ainda sob a tutela de Portugal e das autoridades portuguesas — foi através da própria Emissora oficial que se fizeram constantes e insistentes apelos para que voluntários se apresentassem no cais para trabalhar na descarga desse material cubano e russo. E muitos foram os trabalhadores que acabaram por ser apanhados à força — brancos e negros — e obrigados a ir para o porto trabalhar forçadamente no desembarque desse material.

*

O facto dos Comandos Especiais terem lutado contra o MPLA — e contra os cubanos e russos que os apoiavam — ao lado de Holden Roberto, poderá levar a pensar que esse punhado de homens fazia parte da FNLA.

Não é verdade.

A FNLA serviu de ponto de apoio para esses homens, cujo único objectivo não era nem o da conquista de riqueza ou fortuna, nem sequer o de passageira glória. Era simplesmente o desejo de manter Angola como nação livre e sem interferên-cias estrangeiras no caminho do seu progresso.

Os Comandos Especiais e eu próprio demos o nosso apoio à FNLA, por ser essa a via mais rápida para tentarmos deter a avalanche comunista que ameaçava ocupar Angola.

Foi esse o teor do acordo inicial com Holden Roberto a quem clara e iniludivelmente afirmei

18que nunca seriamos enquadrados nas fileiras da FNLA — com o que ele plenamente concordou.

De resto — e importa que se diga — Holden Roberto mal conhecia a realidade de Angola.

Para todos nós, para os que ali tínhamos nascido ou os que dali tinham feito a sua terra-mãe, era quase chocante ver o espanto que Holden demonstrava perante o progresso duma terra que ele tinha esperado encontrar primitiva e escravizada, árida e abandonada como a propaganda estrangeira proclamava. Como nota curiosa, posso revelar que perante uma barragem (as Molubas) já colocada fora de uso por obsoleta e apta apenas a servir em curtos períodos de emergência de apoio à barragem que servia Luanda, vimos Holden abrir os olhos de espanto perante tão "extraordinária realização"...

Noutra ocasião, na Fazenda "Tentativa", Holden viu uma fábrica de açúcar também já ultrapassada por não ter capacidade de laboração para a matéria prima que ali se produzia e que por tal motivo estava para ser desmanchada. Era uma fábrica que eu conhecia desde menino. Pois Holden Roberto não escondeu o seu espanto perante a sua "grandiosidade"...

Talvez por tudo isso, e também porque ele podia verificar que muitos de nós conhecíamos Angola desde Cabinda ao Cunene e que todos amávamos aquela terra que queríamos que continuasse a ser também nossa, talvez por isso ele nos respeitava e nos dava todo o apoio que podia.

No entanto todo o esforço desesperado desses homens que quiseram defender Angola do inimigo soviético se perdeu.

Ingloriamente, diga-se. Por vil traição.

Tanto os angolanos como os portugueses acreditaram que os representantes do governo português honrariam os seus compromissos de imparcialidade tal como haviam sido assumidos em Alvor. Não o fizeram. É já um facto historicamente comprovado que o governo português apoiou, muito antes da data da independência, a invasão dos cubanos, checos, húngaros e russos em Angola, tal como aprovou e consentiu no estabelecimento de quartéis e na distribuição de armamento, desde o mais simples ao mais sofisticado, desde as armas ligeiras aos mísseis russos, os célebres "órgãos de Staline"...

Quem permitiu, quem sancionou, quem colaborou nessa monstruosa traição que veio a culminar na entrega de Angola e Moçambique ao colonialismo soviético?

Muita gente me tem perguntado por que não entrámos em Luanda, quando a imprensa inter-nacional chegou a noticiar que estávamos à vista da cidade do dia 10 de Novembro, precisamente no morro fronteiro ao Cacuaco. Este livro será uma resposta suficiente, embora muitos aspectos não possam ainda ser revelados.

Esses heróis que se chamaram Comandos Especiais fizeram tudo quanto puderam. Lutando com desespero contra o tempo, conseguiram de facto chegar à vista de Luanda antes da data da independência, levando de roldão à sua frente as sucessivas vagas de cubanos que se interpunham entre eles e a capital. Se a tivessem conseguido atingir antes do 11 de Novembro, tê-la-iam tomado, e não seriam as guarnições cubanas, inadaptadas para a guerrilha urbana, numa cidade que desconheciam e temiam, que o poderiam ter impedido.

Mas entraves de toda a ordem condicionaram a ofensiva sobre Luanda, desde o não consentimento de manobras de diversão ou alterações de frente, até ao atrasar sistemático do assalto à cidade na sequência da primeira arrancada que em 48 horas nos levou do Ambriz ao Caxito... para nos quedarmos mais de vinte dias sem gasolina.

21As pressões que se exerceram sobre Holden Roberto — constantemente mal esclarecido e enganado — no sentido de fazer coincidir o início do assalto com a véspera do dia marcado para a independência, funcionaram deliberadamente para que não entrássemos em Luanda. A artilharia abandonou as posições sem qualquer aviso e exactamente quanto mais dela carecíamos para o assalto ao Morro de Quifandongo o qual, uma vez tomado, abriria o caminho para a cidade em terreno plano e sem obstáculos.

Por tudo isto não ocupamos Luanda. Foi-nos retirado o apoio de fogo pesado dos dois obuses de 140, abandonados mais tarde em Ambrizete e transformados em massas de ferro inútil porque as suas guarnições — evacuadas de helicóptero — levaram as culatras...

Ali ficamos sob intenso fogo do inimigo. O barulho da onda de mísseis parecia uma terrível e contínua trovoada. Os Comandos Especiais ficaram colados ao terreno e impedidos de dar resposta.

Ali ficou só um punhado de Comandos Especiais no dia 10 de Novembro, véspera do dia fixado para a independência. Tudo havia retirado. Do nosso posto de observação sobranceiro à cidade que não havíamos podido alcançar, vi sair do porto

22de Luanda a fragata que levava as autoridades portuguesas.

Eram quatro horas e meia da tarde do dia 10 de Novembro de 1975.

Os Comandos Especiais olharam o silencioso afastamento daquela fragata que levava no convés apinhado de gente os últimos restos de uma presença de cinco séculos. As lágrimas de raiva e de impotência rolaram pelas faces dos Comandos que o sol de Angola curtira. A fragata lançou ferro no limite das águas costeiras e ali ficou parada até à meia-noite. Num arremedo de macabra farsa, à meia-noite em ponto, esse navio da Armada Portuguesa iluminou em arco e salvou a terra...

Depois, como que num silêncio de vergonha, fez-se ao largo.

Gilberto Santos e Castro

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

-" Mais uma do Alegre "

Mais uma !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Vergonhoso... "Nem me lembraria da Reforma!!!!"

Manuel Alegre vai receber uma reforma de 3.219,95 euros mensais pelo
cargo de coordenador!!! de programas de texto da Rádio Difusão
Portuguesa que ocupou por alguns meses!!!!. A informação faz parte da
lista dos aposentados e reformados divulgada pela Caixa Geral de
Aposentações (CGA), citada pelo Correio da Manhã.
Em declarações ao jornal, Alegre garantiu que nem se lembraria da
reforma!!!, se não fosse a CGA a escrever-lhe uma carta. O deputado
explicou que foi funcionário da RDP durante «pouco tempo», já que
começou a trabalhar na rádio quando voltou do exílio, após o 25 de
Abril, e saiu em 1975 quando foi eleito deputado, cargo que ocupou
desde então.

«Nunca mais lá trabalhei, mas descontei sempre», disse o deputado.


Comentários:


Descontou sem trabalhar !!! Como? Num recibo de vencimento que nunca recebia... (se não trabalhava lá)! Tantos anos e nunca se questionou ???
Mas que maravilha, descontar e andar pelos corredores da Assembleia da República!!! Que sistema é este que protege quem não precisa e abandona quem mais precisa!? A virtude trabalho tem pouco valor neste Portugal; o que tem valor são os "berços dourados" e as "cunhas"...Sejamos exigentes com todos os candidatos (a São Bento, a Belém, ao Municipio) pois a pouca vergonha e a corrupção estão generalizados neste País.
Mas que belo exemplo este, e vai concorrer para PR !!!!!!!!!!!! Sério, sério, mas afinal é tão vigarista como todos os outros. Para além do mais, este, quando chamado pela Pátria, DESERTOU...Nós fomos e cumprimos até ao fim; ele foi, mas
FUGIU antes ...













Então um desertor pode candidatar-se a ser comandante-chefe dum exército do qual desertou ! ? ... Mas em que mãos está este pobre país ?... Onde estão os homens honestos ? Porque será que se criou um círculo de silêncio em volta desta deserção ?
Não será que para governante deste país qualquer um serve desde que crie condições para que se possa meter a mão no saco ?

Não pensem em oferecer o cargo ao Zé do Telhado porque ele iria ficar ofendido...


Reencaminhe porque

É um dever de cidadania dar a conhecer estas tentativas de assalto




sábado, 4 de setembro de 2010

-" Ritual de iniciação na Guiné-Bissau"

Cerimónia tribal raramente presenciada por estranhos.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

-" O branqueamento que desprestigia o 25 de Abril "

O Branqueamento da História…

O branqueamento do sucedido no pós-25 de Abril em Portugal, tem sido feito por Otelo Saraiva de Carvalho que, na efeméride dos 34 anos, se dividiu em deambulações por cá e pela “estranja” fazendo afirmações inconcebíveis e resultantes do facto de terem ficado prescritos os seus crimes cometidos a liderar os terroristas das Forças Populares 25 de Abril.
Ele fora condenado na 1.ª instância, em 1987, em 15 anos de prisão pelo crime de terrorismo, com agravamento pelo Tribunal da Relação e do Supremo Tribunal de Justiça para 17 anos.
Por proposta de Mário Soares antes de sair da Presidência da República, a Assembleia Legislativa aprovaria uma amnistia com os votos contra do CDS e PSD, onde se encontrava José Pacheco Pereira que, nos debates afirmou que Otelo não merecia ser amnistiado. Tal posição era baseada no facto dele, numa entrevista ao Expresso, ter afirmado que a morte de uma criança pelos terroristas das FP25 tinha sido um erro técnico. E acrescentava: “Este cinismo não pode ser amnistiado”.
Continuavam por julgar os crimes de sangue que, segundo se constou, os deputados da maçonaria não consideravam poder ser amnistiados.
Assim, de 2001 a 2003 decorreu a saga dos recursos, que acabaria com o desleixo de um magistrado do Ministério Público, que deixou expirar o prazo para se poder recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça.
Tal conjuntura resultaria de uma decisão do Tribunal Constitucional, que, segundo o Juiz Adelino Salvado, “irá também acontecer no caso da Casa Pia e vai levar ao aniquilamento do sistema” (António José Vilela/2004).
Assim, Otelo acabou por “virar santinho” e, na sua opinião, uma vítima do sistema, permitindo-se que determinados órgãos de CS nacionais e estrangeiros lhe dêem cobertura mediática e tenha levado mesmo um deputado do PS, num recente programa da RTP1, a vir fazer a sua defesa e admoestar os deputados de PSD e CDS, lá presentes, por virem lembrar as suas responsabilidades nos actos vergonhosos praticados ao longo do PREC e da escabrosa actividade nas FP25.

Espantoso!!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

-" O lado oculto do 25 de Abril "

Batalhas Esquecidas
NA MARINHA DO MALAWI, AO SERVIÇO DE PORTUGAL

Durante seis anos, o Antigo Regime dominou por completo a armada de um país que faz fronteira com Moçambique, numa guerra secreta que deu muitos frutos.

Serafim Lobato
(Jornalista, Licenciado em História, Mestre em estudos
Portugueses pela Universidade Aberta)

A Marinha de Guerra do Malawi foi comandada e orientada, entre 1968 e 1974, por oficiais da Armada portuguesa. Estes não representavam oficialmente, o executivo de Lisboa. Agiam como “desertores”, classificação informal que adquiriam ao “abandonar” a “Briosa” para se transferirem, de armas e bagagens, para o “outro lado”. Na realidade, estavam em total consonância com a hierarquia castrense. Ao serviço do Estado lusitano.
Foi a operação “secreta” mais prolongada e eficaz do Antigo Regime nas colónias portuguesas, nos 13 anos de guerra. Não existem documentos oficiais já desclassificados que confirmem esta aventura longa de sete anos. São os protagonistas que as descrevem.

O Malawi, a antiga colónia britânica do Niassalândia, não tem saída para o mar. A sua grande bacia hidrográfica é o lago Niassa, que serve três países – além daquele, também a Tanzânia e Moçambique, hoje todos independentes. Na altura, a questão central era de natureza militar. Deste modo, o gigantesco lago africano adquiriu, nesse enquadramento geo-político, uma relevante importância estratégica.

Os marinheiros portugueses agiam como desertores autorizados

O Malawi e a Tanzânia ascenderam à independência, mas optaram por vias diferenciadas. O primeiro, tendo Hastings Kamuzu Banda como primeiro Chefe de Estado, seguiu o nacionalismo conservador pró-ocidental. O segundo, liderado por Julius Nyerere, defendeu o nacionalismo progressista, terceiro-mundista, buscando apoios, essencialmente, na antiga União soviética e na China. O regime tanzaniano era o “santuário” de retaguarda da FRELIMO (a Frente de Libertação de Moçambique), que lutava pela independência do território desde 1964.
A operação “encoberta” iniciou-se em 1968. Após negociações, Portugal e o Malawi acertaram a troca de uma lancha de fiscalização pequena (LFP), sediada em Matangula (Lago Niassa), para um porto do mesmo lago em Nkata Bay.
No dia aprazado, realizou-se uma cerimónia especial em Metangula – o nome oficial da povoação era Augusto Cardoso – para a transferência da lancha. Um documento oficial – aliás, o único que foi possível consultar – existente no Arquivo da Marinha de Guerra regista a cerimónia.
Em augusto Cardoso, a “castor”, que foi baptizada com o nome de John Chilembwe (nome de um herói do país), foi entregue na presença de entidades dos dois países.

Socorremo-nos de citações copiadas do documento, pois não nos foi permitido fotocopiar: “A 5 de Agosto de 1968, em Augusto Cardoso/Metangula, e conforme notas diplomáticas tomadas entre Portugal e o Malawi”, foi a lancha de fiscalização “castor”, da Armada portuguesa, transaccionada “por empréstimo”.
Na cerimónia, Portugal estava representado pelo então comodoro Tierno Bagulho, Comandante Naval de Moçambique, e “em representação” do governo do Malawi, aleke Banda, ministro da economia e presidente do ‘Malawi Youngers Pioneers’. Tudo muito formal.
À margem desta história, recorde-se que Tierno Bagulho, que ocupou depois o cargo de Presidente do Supremo Tribunal Militar, foi um dos três oficiais-generais das Forças Armadas que se recusaram, em Março de 1974, após o “Golpe das Caldas”, a participar no chamado “Beija-mão” ao então presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano. Os outros dois foram Costa Gomes e António de Spínola, então, respectivamente, os cargos de chefe e vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas. Os três já faleceram.

O comando da nova lancha ‘John Chilembwe’ vai ser assumido por um jovem oficial “desertor” da Armada portuguesa: Manuel Agrelos, já investido nas novas funções aquando da cerimónia em Matangula. É, agora, primeiro-tenente da Marinha do Malawi, quando o seu posto na Armada portuguesa, era segundo-tenente da Reserva Naval. Manuel Alexandre de Sousa Pinto Agrelos, engenheiro, era o comandante da lancha ‘Mercúrio’. Cumpria o serviço militar em Moçambique
Já civil, Agrelos descreveu a sua “aventura” num relatório privado que fez, nos anos 80 do século passado, e entregou à comissão COLOREDO (a comissão da Marinha de Guerra, que recolheu dados e informações sobre a actividade nas antigas colónias, que, estranhamente, se encontram ainda sob a chancela de classificados.
Na cerimónia de Metangula, o oficial português mandou arriar a bandeira, chamava-se ‘Francisco Freire’ e o “oficial malawiano que a recebeu e mandou içar fui eu”, referencia Agrelos no seu relato.
Com o comandante da lancha, seguiram o marinheiro telegrafista Mário Fernandes e o cabo fogueiro Martinica, que foram graduados, respectivamente, em segundo e primeiro sargentos da Marinha do Malawi. O resto da guarnição pertencia aos ‘Young Pioneers’, uma espécie de “guarda pretoriana” do regime ditatorial de Hastings Banda.

Manuel Agrelos acabou por ser virtual ministro da Marinha do Malawi

Agrelos faz questão de assinalar no relatório que, entre os presentes na cerimónia estava o engenheiro Jorge Jardim – pai da socialite Cinha Jardim – que ali se encontrava com o estatuto de cônsul honorário do Malawi em Moçambique. Jardim ficou, aliás, o garante do pagamento do salário a Manuel Agrelos, depositando-o numa conta bancária a que o comandante da lancha tinha acesso.
Manuel Agrelos continuava, no entanto, a depender da hierarquia da Marinha de Guerra portuguesa e era a esta que prestava contas por canais informais.

Na sua nova função, Manuel Agrelos foi algo mais que um simples oficial comandante de uma pequena lancha. Na realidade, tornou-se no ministro da Marinha malawiana. Sem qualquer apoio, sem experiência, montou toda a estrutura de informação que veio a servir os seus sucessores.
O “agente especial” português participou em algumas reuniões do Conselho de Ministros do Malawi e teve vários encontros com o então chefe de Estado do país, Hastings Banda.
Do ponto de vista estratégico-militar, graças a esta lancha, Agrelos controlava, em grande medida, o movimento de embarcações no Lago Niassa. Incluindo, portanto, as que serviam de apoio logístico à FRELIMO.

Quando se dá o 25 de Abril, as relações com o Malawi tornam-se distantes

Agrelos teve contactos mais “profundos” ou mais “ligeiros”, com altos dirigentes da FRELIMO, incluindo Eduardo Mondlane, mas o actual presidente da Federação Portuguesa de Golfe não se prontificou, até agora, a contar o “muito que soube”.
Mo relatório, assinala um dos aspectos menos conhecidos da “parceria” que envolvia a passagem da embarcação que comandava para o país: a flotilha de Metangula passava a ser abastecida por gasóleo do Malawi.

A Lancha de Desembarque Média (LDM) que ia buscar o combustível levava um logótipo da SONAP e os membros da guarnição “fardas” da mesma companhia petrolífera portuguesa.
A sua missão “tipo James Bond” decorreu, pacificamente, até que terminou a comissão de serviço em 1969.
Manuel Agrelos pertenceu ao 9º Curso de Formação de Oficiais da Reserva Naval (CFORN). Do seu curso, destacado para idêntica função naquela colónia como comandante de uma LFP, foi seu camarada de armas o antigo ministro Pedro Lynce de Faria.
Assim, o “agente especial” Agrelos deu lugar a outro oficial da Marinha da Reserva Naval. Outros se seguiram, incluindo alguns da Legião Naval, até ao 25 de Abril de 1974. Entretanto, o Malawi já adquirira duas lanchas portuguesas. A segunda emprestada foi a ‘Regulus’, rebatizada como ‘Chiluza’. Eram dois, agora, os oficiais lusos em actividade.

Com a revolução de Abril, a função do “James Bond” português esteve quase a terminar em tragédia.
O papel de “Ministro da Marinha" exercido por portugueses foi perdendo validade. Quando se dá o 25 de Abril, as relações tornaram-se distantes. Os comandantes das lanchas eram agora oficiais fuzileiros.
O primeiro, mais antigo, já veterano de guerra, chamava-se Lhano Preto e dirigia a ‘John Chilembwe’. O segundo, mais “marreta” e com “pouco tempo de mato”, era o subtenente Berbereira Ribeiro Moniz. Pertenciam ao 9º Destacamento de Fuzileiros Especiais.
As lanchas navegavam com cadetes dos ‘Young Pioneers’. Estabelecera-se o distanciamento entre Blantyre e as autoridades moçambicanas. Os tempos estavam a mudar.

Os salários dos agentes portugueses eram pagos por Jorge Jardim

A revolução portuguesa transtornou definitivamente os planos de Hastings Banda. O regime democrático passou a ser olhado de soslaio e os oficiais portugueses constataram essa mudança.
Em Julho de 1974, são chamados à capital malawiana. Recebem a indicação da embaixada portuguesa de que o melhor é voltarem a ter um passaporte português e se prepararem para o pior. Aliás, um dos oficiais, Lhano Preto, esteve retido momentaneamente nesse período, mas acabou por ser mandado seguir para Monkey Bay. Quando chegaram ao local verificaram que as lanchas tinham desaparecido. Vieram a saber que os cadetes as fizeram seguir para uma baía mais a sul, onde se esconderam

As “manobras” do regime de Banda foram comunicadas ao comando da esquadrilha do Niassa, que, por outro lado, recebera a indicação de Lisboa para fazer a entrega, formal e definitiva, das duas lanchas ao Malawi.
Foi nesta situação de ambiguidade que o comandante da esquadrilha, o então primeiro-tenente da Marinha Ribeiro Ferreira (hoje vice-Almirante na reserva) decidiu zarpar para resgatar os oficiais que julgava detidos.
Em acto belicoso, entrou em Monkey Bay, preparado para uma batalha naval com o apoio de duas lanchas de fiscalização, uma pequena Lancha de Fiscalização de Pesca, uma Lancha de Desembarque Média e um destacamento de fuzileiros.
Não foi preciso usar a força. Afinal, os portugueses já estavam em liberdade e aguardavam na praia de Monkey Bay a chegada da frota para se fazer a transferência pacífica das lanchas.

Os “agentes portugueses” regressaram às suas unidades. Jorge Jardim passou a fora da lei e refugiou-se no Malawi. Era agora “persona non grata” do novo regime português.
Findara deste modo, a nossa missão no Malawi. A maior parte dos nossos “Bonds malawianos” ainda é viva. São hoje pacatos cidadãos que recordam essas memórias…
Serafim Lobato

sábado, 7 de agosto de 2010

-" O Alegre "

Fins de 1968

Dois alferes pilotos do mesmo curso, o Lamy e o Lopes, do AB.3 Negage, descolam para um voo de rotina num Do27. O cacimbo estava cerrado e ao regressar à base enfiam-se a voar por um morro, tendo ambos falecido no impacto.
Seria este simplesmente mais um triste caso de indisciplina de voo a ceifar a vida de dois jovens, não fosse um revoltante desenvolvimento: à noite ouvimos, na camarata da BA.7 Aveiro, a inconfundível voz do traidor Manuel Alegre, através da "Rádio Portugal Livre", emitida da Argélia, regozijar-se por mais esta "vitória dos combatentes da liberdade de Angola" (isto apesar do inimigo não ter tido qualquer actuação neste acidente).

A pergunta é simples: Será que algum Alemão que tivesse colaborado com os Ingleses ou um Francês que tivesse colaborado com os Alemães ou um Japonês que tivesse colaborado com os Americanos teria algum futuro político no seu país no pós-guerra ?

Quando é que vamos parar de aceitar que traidores, refractários e desertores dominem a política em Portugal ?

(Fonte : milhares de combatentes )

quarta-feira, 7 de julho de 2010

-" Ser Presidente da República quem ajudou a matar portugueses !?...

MANUEL ALEGRE “COMBATENTE”, POR QUEM?

António Brandão

Estou cada vez mais confuso, p. f., ajudem-me.
Li atentamente um texto que me foi reencaminhado por um antigo meu instrutor de Operações Especiais. O texto, fez-me recordar duas coisas, uma recente em que apareceu (aparece) na TV uma senhora , mulher ou “Gaja” , dependendo do ponto de vista do telespectador ou do lado da trincheira em que o mesmo se encontra, que entra muda, sai calada, em que não se percebe bem, qual o seu papel. Há quem diga que é uma “MISS”, outros uma tal de Mântua, há quem diga até que será a célebre “Maria Turra” que, nos idos anos 60/70 se ouvia no Norte de Angola e que servia de amplificador sonoro do tal MV, ou M qualquer coisa, não sei o quê.
A outra coisa que me recordo, com mais anos de facto, é que os Furriéis Álvaro V. Mesquita, Armindo Veloso, e os Alferes Daniel Fonseca, Vale Leitão, Rogério de Carvalho, Eusébio Silva, Fraga de Carvalho, Borges Macêdo e Nogueira Lebres, estes entre muitos outros Oficiais, Sargentos e Praças, foram mortos em combate com a ajuda de pequenas traições praticadas por actos e palavras dos MVs dos nossos tempos.
Se é certo que alguns Oficiais ainda vivos, aposentados ou não, arrependidos ou não, ficarão lisonjeados por terem pessoas com este cariz, como seu comandante supremo, eu, um simples Miliciano que fui, um mero cidadão que sou, por respeito aos Camaradas e amigos mortos em combate, tudo farei para que um qualquer, mesmo dizendo “eu não tenho medo”, nunca em qualquer circunstância, venha a ser o meu PR.
Às Mãe, aos filhos, aos irmãos, aos amigos dos cerca de 10.000 que se encontram perpetuados no Forte do Bom Sucesso em Belém: ACORDEM ! . . .